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Marcha pede paz e mobiliza o mundo

    A grande marcha mundial pela paz mobilizou pelo menos 50 cidades brasileiras no sábado, 15 de fevereiro.
As pessoas foram às ruas dizer não ao provável ataque dos Estados Unidos ao Iraque. O movimento aconteceu também em mais de 50 países.
A maior mobilização aconteceu em São Paulo, onde 30 mil pessoas, segundo os organizadores, concentraram-se na Avenida Paulista para depois seguir até o Parque do Ibirapuera. Marcavam presença várias ONGs como Paz Agora, Greenpeace, Grupo Solidário São Domingos, Coalizão Brasileira para a Paz Israel-Palestina (Taba), entre os milhares de ativistas que não tinham ligação com partidos ou ONGs mas que queriam expressar a discordância das intenções do presidente norte-americano, George Bush.
Em meio aos cartazes pacifistas, também se viam atitudes como a queima da bandeira dos Estados Unidos ou a
tentativa de associar a imagem de Bush aos nazistas na 2.ª Guerra Mundial. No fim da tarde, todos reuniram-se em torno do Obelisco do Ibirapuera, onde vários representantes de entidades discursaram em cima de caminhões de som. Entre os presentes, estava João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
No Rio de Janeiro, cerca de 20 mil pessoas reuniram-se no bairro do Leme por volta das 11 horas. No caminho até Copacabana, a marcha foi saudada por cariocas que estavam nas janelas dos prédios e apoiavam os protestos. Em Porto Alegre, os gaúchos voltaram às ruas contra a guerra, depois de já terem protestado em janeiro durante o III Fórum Social Mundial. Cerca de 2 mil pessoas caminharam sob um sol forte. Na beira do Lago Guaíba, houve apresentação de várias bandas ao fim do evento.
Também se mobilizaram os moradores de Brasília, Campo Grande, Salvador e Curitiba. Nestas cidades, pelo menos 5 mil pessoas pediram a paz neste sábado.

Aznar - Longe do Brasil e separados por um oceano, os espanhóis também foram às ruas contra a possibilidade de guerra no Iraque. Mais de 3 milhões de pessoas mobilizaram-se em 60 cidades. Além de protestar contra o conflito, os espanhóis criticavam o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar. O líder é um dos governantes que apoiam uma ofensiva norte-americana, junto com o governo Inglês.
O cineasta Pedro Almodóvar participou do ato em Madri, a capital. Mas cidades como Zaragoza, Sevilha, Bilbao, Granada e Barcelona reuniram também milhares de pessoas.
A mobilização repetiu-se em Roma onde 3 milhões de italianos fizeram uma marcha colorida que levou jovens e velhos ao protesto. Ao mesmo tempo, em Assis, o vice-primeiro ministro iraquiano, Tareq Aziz, fazia um protesto solitário em frente ao túmulo de São Francisco, onde rezou.

Resistência – Participando do bloco de resistência aos bombardeios contra o Iraque, mais de 80 organizações, partidos e sindicatos tomaram as ruas na França. O governo do país tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e já declarou que discorda da ofensiva militar. Cerca de 300 mil franceses marcharam durante todo o sábado. Em Toulouse, a manifestação aconteceu de manhã, com pelo menos 8 mil pessoas.
Na terra do primeiro ministro alemão Gerhard Schroeder, outro opositor da guerra, cerca de 200 mil moradores envolveram o Portão de Brandenburgo no maior protesto desde a 2.ª Guerra Mundial em Berlim. Cartazes como Não à guerra por petróleo e Guerra? Não, obrigado! Ajudavam a passar o recado dos alemães.
No domingo, foi a vez dos australianos contestarem a posição do chefe do governo local e pelo menos 500 mil foram às ruas. Os protestos, em cidades como Sydney e Adelaide, foram os maiores desde a Guerra do Vietnã, há 30 anos.

Façam amor, ... – Mesmo nos Estados Unidos, houve grande mobilização pela paz. Em Los Angeles, onde fica Hollywood, muitos carregavam cartazes com a frase Façam amor, não façam a guerra ao lado de uma foto-montagem com o presidente Bush beijando o primeiro-ministro inglês, Tony Blair.
Em Nova Iorque, as pessoas enfrentaram o frio de 12 graus e desfilaram vigiados de perto pelo esquema de segurança especial já implantado pelo governo federal. Pelo menos 15 mil pessoas estiveram na passeata na cidade onde houveram os atentados de 11 de setembro de 2001. Os protestos foram repetidos também em outras 250 cidades norte-americanas, mesmo com as baixas temperaturas.

Embaixada – No México, milhares de manifestantes se posicionaram em frente à embaixada dos Estados Unidos no país. Eles ouviram um discurso da guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz. A mesma estratégia foi adotada em Bangcoc, na Tailândia, quando cerca de 2 mil pessoas bloquearam o acesso à representação norte-americana no país. Na região, o ato se repetiu em Tóquio, capital japonesa, com a participação de 300 pessoas. O governo desse país tem apoiado os discursos de guerra dos Estados Unidos.

Por André Merli, repórter.
André Merli é jornalista responsável pelo Boletim E-leitor Cidadão do
Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia


      
São Paulo, Brasil                                           Artistas em Aliança
                                                                  São Paulo, Brasil



Isis de Palma, coordenadora do
movimento Tambores pela Paz

Fotos: Martí Olivella

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Veja abaixo o registro das marchas em diversos lugares do mundo


      
Dhaka, Bangladesh                                           Granada, Espanha


      
Madri, Espanha                                           São Paulo, Brasil


      
Bilbao, Espanha                                           Bucharest, Romenia


      
Karlsuhe, Alemanha                                           Seul, Coréia do Sul


      
Toronto, Canadá                                           Sidney, Austrália


      
Los Angeles, EUA                                           Santiago, Chile

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Manifestações antiguerra reúnem milhões no mundo inteiro

Mais de quatro milhões de manifestantes uniram forças ao redor do mundo no sábado para enviar uma dura mensagem ao presidente dos EUA, George W. Bush: "Dê uma chance à paz e não se apresse para entrar na guerra contra o Iraque."

Em centenas de cidades ao redor do mundo, de Bangkok a Bruxelas, de Camberra a Calcutá, os manifestantes tomaram as ruas.

Na maior demonstração do "poder popular" desde a Guerra do Vietnã, eles desdenharam a posição de Bush.

Havia entre os cartazes símbolos nazistas associados aos E.U., Bush e Sharon, demonstrando o desconhecimento por alguns grupos radicais, minoritários mas ruidosos, da importância da construção de uma Cultura de Paz, na qual não cabem tais simbologias geradoras de generalizações preconceituosas, assim como não faltou o deplorável espetáculo de queima de uma bandeira norte-americana, pirotecnia inspirada na antiga tática goebbelliana de associar o símbolo de toda uma nação ao desatino de uma de suas múltiplas e conflitantes facetas, inspirando um ódio generalizado por um povo ou país.

Contudo, o que predominou nas manifestações foi a tranquilidade. As longas caminhadas, no Rio e em S.Paulo, foram uma oportunidade para o re-encontro de amigos antigos, hoje ativistas de inúmeras causas humanistas e sociais, em torno do ideal pacifista, e proporcionaram oportunidade para diálogos construtivos olho-no-olho, de ativistas de grupos com palavras-de-ordem aparentemente conflitantes..

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Cerca de vinte mil pessoas participaram no Rio de Janeiro da marcha em protesto à guerra no Iraque. A concentração dos manifestantes começou por volta da 11h, na esquina das avenidas Princesa Isabel e Atlântica, no Leme. Representantes de várias entidades civis, sindicalistas, estudantes, empresários, artistas, políticos e até turistas engrossaram o movimento que deixou o bairro do Leme por volta das 16 horas, em direção ao Posto 6, em Copacabana. Os manifestantes, conduzindo faixas com inscrições e slogans contra a guerra no Iraque, eram saudados pelas pessoas nas janelas dos prédios, que acenavam com toalhas brancas. A maioria das faixas traziam inscrições com críticas ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A Polícia militar interditou toda a Avenida Atlântica, garantindo a segurança do público. Na esquina da Avenida Atlântica com a Rua Siqueira Campos a passeata parou para realizar um ato público, com a participação do grupo baiano Afoxé Filhos de Ghandi. A passeata seguiu pela orla de Copacabana.

Amigos Brasileiros do PAZ AGORA caminharam ao lado de membros A.S.A. - Associação Cultural Israelita Sholem Aleichem, que portavam uma faixa que dizia "NÃO EM NOSSO NOME ! JUDEUS PROGRESSISTAS CONTRA A GUERRA" e dezenas de organizações pacifistas. A camiseta com as palavras PAZ AGORA escritas em hebraico, e a faixa da A.S.A. atraíram a simpatia e o diálogo com inúmeras pessoas, ao mostrar que há judeus no mundo inteiro que, mesmo defendendo o Estado de Israel, são contra a guerra e sustentam uma posição de apoio a um Estado Palestino. Trechod da carta de convocação da A.S.A. para o evento: ..."Será o povo iraquiano, que já sofre as dramáticas conseqüências do embargo de mais de uma década, a principal vítima do militarismo extremado e cínico da administração Bush e seus aliados...A A.S.A. se incorpora a estes protestos e se solidariza com o povo iraquiano, tanto em sua luta contra o regime ditatorial de Saddam Hussein como no repúdio às intenções neocoloniais dos Estados Unidos."

Broches exibindo as bandeiras israelense e palestina entrelaçadas, de um grupo pacifista norte-americano, também mostravam o caminho para uma solução justa para israelenses e palestinos: Dois Estados para Dois Povos, convivendo lado-a-lado. Um outro grupo de norte-americanos residentes no Rio, denominado "Brigada Mark Twain", crítico à política de Bush também se destacou, ao representar uma grande dos cidadãos dos E.U. que reprovam a política militarista do atual governo. Assim como o povo iraquiano não deve ser castigado pelos crimes do sanguinário ditador Sadam Hussein, o repúdio à política de Bush não pode ser generalizsção radical de condenação ao povo norte-americano.

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Em Brasília, centenas de pessoas participaram pela manhã de um ato no Parque da Cidade de Brasília. O evento contou com a presença do ministro das Cidades, Olívio Dutra. "O governo americano está agindo com prepotência, procurando inclusive encontrar chifre em cabeça de cavalo. Evidentemente, o povo iraquiano tem que ter o direito de se auto-determinar e de escolher seu governante. E este governante tem que passar pelo crivo democrático em seu país, e não em outros países", disse o ministro.
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Em São Paulo, a concentração foi em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Mais de 30 mil pessoas, segundo os organizadores, participaram da passeata que se iniciou diante do MASP, na Av. Paulista, por volta das 16 horas, e seguiu em direção ao Parque do Ibirapuera. Na Av. Paulista havia de tudo: partidos de esquerda, sindicatos, associações, gremios, ONGs e até mesmo uma galera punk que rompia a multidão com o refrão "o povo unido, mas sem partido, jamais será vencido". Falaram o Presidente do PT, José Genoíno, o Senador Eduardo Suplicy, e o Zé Maria do PSTU. A seguir, a multidão seguiu pela Av. Brigadeiro Luiz Antônio, ocupndo toda sua extensão da Av. Paulista até o Monumento das Bandeiras, já no Ibirapuera, cujas esculturas equestres foram ocupadas, num alegre espetáculo de cores e bandeiras de militantes .

Muitos dos manifestantes eram pacifistas judeus, simpatizantes de movimentos pacifistas israelenses. Membros dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA vestiam camisetas do Movimento israelense PAZ AGORA. No decorrer da passeata, caminhavam e dialogavam ao lado de outras ONGs pacifistas, como o Greenpeace, Grupo Solidário São Domingos, TABA - Coalizão Brasileira para a Paz Israel-Palestina, companheiros do Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz da Assembléia Legislativa de SP, e veteranos do diálogo na Irlanda do Norte.

As letras hebraicas nas camisetas surpreendiam muitas pessoas da multidão, provocando reações que variavam do espanto a veementes elogios, e proporcionando a oportunidade de divulgar a existência de um forte movimento pacifista israelense, que defende a criação de um Estado Palestino soberano ao lado de Israel, e uma paz justa no Oriente Médio, com o reconhecimento da soberania de seus povos em Estados Independentes e ´Democráticos que assegurem os Direitos Humanos para todos seus cidadãos.

Ao final da tarde, os manifestantes se agruparam em torno do Obelisco do Ibirapuera, onde do alto de dois caminhões de som, as entidades organizadoras se dirigiram a multidão, de forma geral conclamando a uma resistência pacífica contra o "imperialismo americano", a favor do povo iraquiano e do povo palestino, mas sem escorregar para discursos radicais anti-sionistas ou anti-semitas.

O discurso que recebeu os mais calorosos aplausos foi o do dirigente do MST, Pedro Stedile, que destacou a presença, lado-a-lado de ativistas judeus, árabes e de várias cores políticas, exortando todos a se verem, não como brasileiros, membros de uma raça, religião ou partido, mas como seres humanos que se opunham à guerra.


Na capital da Bahia, a Polícia Militar estimou em 1,5 mil o número de manifestantes. Eles partiram do Campo Grande, no centro da cidade, para o Pelourinho. Em Fortaleza, a manifestação pela paz aconteceu no Centro, e reuniu duas mil pessoas carregando faixas e bonecos. Já em Curitiba, mil pessoas caminharam do Centro até a Boca Maldita. Shows marcaram o manifesto em Vitória. Cerca de 500 pessoas se reuniram na praia de Camburi para pedir paz.

Mais de 2 mil pessoas em Porto Alegre pediram paz Apesar do forte calor de 32° na capital gaúcha, cerca de 2 mil pessoas se concentraram na Usina do Gasômetro, na orla do rio Guaíba, reunindo forças no "Dia Mundial contra a Guerra Imperialista". O protesto pacifista foi organizado por setores da sociedade civil, com a participação de deputados e prefeitos. Assim como em diversas outras cidades do interior do Rio Grande do Sul, as manifestações transcorreram com tranqüilidade. Causou surpresa entre algumas delegações mais radicais uma bandeira de Israel, que desfraldada, aglutinou vários judeus presentes. Participam também integrantes do batalhão de Suez, tropa de paz e força de emergência - vencedores do Prêmio Nobel da Paz em 1988. Um palco foi montado às margens do rio, onde várias bandas gaúchas se apresentaram à. Na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, ocorrem manifestações semelhantes neste momento


EUROPA

Dos parques de Londres às piazzas de Roma e às avenidas de Berlim, milhões de europeus marcharam neste sábado para registrar sua oposição a uma eventual guerra no Iraque no que foi considerado a maior demonstração coordenada no continente que sem tem notícia.

Manifestantes tomaram a Piccadilly de Londres e marcharam até a Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro Tony Blair, o aliado mais comprometido no esforço para desarmar o Iraque de Saddam Hussein à força. "Paz!, não à guerra", gritavam os manifestantes, levantando cartazes: "Não faça a guerra em meu nome". A polícia estimou inicialmente que havia cerca de 300 mil manifestantes em Londres. Organizadores disseram que o ato teve a participação de um milhão de pessoas. Este é um dos maiores protestos da história da capital britânica.

Esta é uma guerra somente sobre petróleo. George W. Bush nunca deu a mínima para direitos humanos," disse o prefeito de Londres, Ken Livingstone, durante a manifestação gigante em Londres. Cerca de um milhão de pessoas marcharam através da capital britânica, na maior manifestação pela paz na histórica política do país. "Dê uma chance à paz, dê uma chance à paz," gritava o pacifista americano Jesse Jackson, para delírio da multidão.

Os manifestantes querem forçar Blair a se distanciar dos esforços dos EUA. Blair continua firme no seu apoio ao presidente Bush, dizendo em uma reunião do Partido Trabalhista em Glasgow que Saddam "não faria uma única concessão se não houvesse forças cercando o Iraque". Enquanto ele falava, cerca de 25 mil manifestantes protestavam contra a guerra em Glasgow.

Manifestantes insistiam, nas palavras do estudante Seth Green, que "o movimento anti-guerra não apóia Saddam Hussein". Green, que estuda na Oxford University, disse que participou da marcha porque queria "mandar uma mensagem que é possível ser pró-americano e contra a guerra", uma mensagem que se expandiu em Berlim, Amsterdã e em toda Europa.

Mais de três milhões de espanhóis saíram ontem, sábado, às ruas de 60 cidades de todo o país para dizer "Não à guerra" contra o Iraque, exigir a paz e criticar as posições adotadas nesta crise pelos Governos da Espanha e dos EUA. Todos os partidos políticos - com exceção do governamental Partido Popular (PP) -, os sindicatos majoritários União Geral de Trabalhadores (UGT) e Comissões Operárias (CCOO), estudantes, atores e intelectuais, entre outros, se uniram às mobilizações em toda a Espanha.

Em Madri, o diretor de cinema, Pedro Almodóvar, condenou o conceito de guerra preventiva empregado pelo Governo de George W. Bush para possivelmente atacar o Iraque, na leitura do manifesto com o qual concluiu o protesto contra a crise. Mais de dois milhões de pessoas, segundo Almodóvar, participaram dos protestos na capital espanhola, cujo centro ficou tumultuado devido ao grande número de pessoas. A Delegação do Governo em Madri estimou em cerca de 660.000 o número de presentes. Em frente a um grande cartaz com a mensagem "Paremos a guerra contra o Iraque", que tinha uma pomba da paz desenhada, Almodóvar denunciou o fato de que mais de "800.000 pessoas, segundo números da ONU, morreram por desnutrição devido ao embargo" contra o Iraque, afirmando que "não existe melhor prevenção a uma guerra que a paz". Depois da leitura do manifesto, na Porta do Sol, onde foram colocados cartazes com a palavra "Paz" e até bandeiras republicanas, foram ouvidas sirenes, como parte de uma encenação de um ataque aéreo. Apesar de os presentes terem tentado se jogar no chão, a presença de uma grande multidão impediu que isso acontecesse.

As mais de 60 mobilizações na Espanha transcorreram de forma pacífica. Na maioria dos textos lidos, os manifestantes quiseram deixar claro que a oposição é contra um possível conflito militar iniciado pelos EUA e também contra o regime político de Saddam Hussein. Em Barcelona (nordeste), mais de 1,3 milhão de pessoas - segundo a Prefeitura - compareceram à manifestação convocada pela Plataforma Paremos a Guerra. Em Zaragoza (centro), de 200.000 a 400.000 pessoas participaram dos protestos, enquanto em Valência (leste), a intensa chuva que caiu durante todo o dia não impediu que a mobilização - convocada por cem organizações cívicas - ocorresse com tranqüilidade. Em Sevilha (sul), mais de 150.000 pessoas - segundo a polícia local- atenderam a convocação do Fórum Social, o que fez seus organizadores consideraram este protesto como "um ato histórico", por ter sido o maior já realizado em Andaluzia. O presidente do Governo regional andaluz, o socialista Manuel Chaves, disse que o presidente do Governo, José María Aznar, "deveria tomar nota" do "clamor em massa" contra a guerra.


ÁFRICA, ÁSIA E OCEANIA

"O mundo inteiro está contra esta guerra. Somente uma pessoa quer," disse o adolescente muçulmano Bilqees Gamieldien na Cidade do Cabo.


O dia começou ontem com uma série de manifestações na Ásia. No Japão, único país que já foi atacado com armas nucleares, no final da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à Embaixada dos EUA em Tóquio. "O que os Estados Unidos estão fazendo é errado. Estamos à beira da Terceira Guerra Mundial," disse a dona de casa japonesa Mariko Ayama. Um avião fretado pelo "Greenpeace" desfraldou nos céus da Nova Zelândia uma gigantesca faixa com os dizeres: "NO TO WAR - PEACE NOW".

Cerca de 12 mil pessoas participaram ontem de manifestações em diversos lugares na Tailândia, que está sediando o 3ª Encontro Internacional da Rede Global de Educação pela Paz (veja em www.redepaz.org) .Cerca de 2 mil pessoas se aglomeraram em frente às Embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha no centro de Bangcoc e bloquearam o tráfego por 90 minutos antes de se dirigirem a um parque da cidade para ouvir pronunciamentos contra a ação do governo norte-americano. A polícia informou que outras 10 mil pessoas se reuniram perto de um aeroporto em Pattani, no sul tailandês e com predominância de muçulmanos, para repudiar o governo do presidente norte-americano Gerge W. Bush. Pattani, 1.280 quilômetros ao sul de Bangcoc, é uma Província localizada na fronteira com a Malásia. Os muçulmanos representam cerca de 10 por cento da população da Tailândia, que chega a 63 milhões.

Australianos também fizeram ontem maior protesto no país desde os atos contra a Guerra do Vietnã, há 30 anos. Mais de 500 mil pessoas protestaram hoje, domingo, em quatro capitais regionais da Austrália contra uma guerra no Iraque, concluindo três dias seguidos de marchas pacifistas, as maiores da história deste país. AAs manifestações contrastaram com a firme posição do Governo, aliado dos Estados Unidos, que defende a necessidade de desarmar à força o regime iraquiano. Cerca de 200 mil "pacifistas" em Sydney, outros 100 mil em Adelaide, 100 mil em Brisbane e 100 mil em Darwin gritaram palavras de ordem contra o primeiro-ministro australiano, John Howard, e exigiram o retorno imediato de seus dois mil soldados enviados para o Golfo Pérsico.


MUNDO ÁRABE

Os ministros árabes de Relações Exteriores iniciaram neste domingo sua reunião extraordinária sobre a crise iraquiana na sede da Liga Árabe no Cairo.

Pela primeira vez, a União Européia (UE), representada pelo ministro grego de Relações Exteriores, George Papandreu, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE, assiste como observador a uma parte da reunião. Os ministros árabes devem proclamar seu apoio aos esforços para se conseguir um desarmamento pacífico do Iraque e pronunciar-se sobre uma data para a próxima reunião de cúpula extraordinária de chefes de Estado árabes dedicada à situação iraquiana, que foi solicitada pelo Egito.

Dezenas de milhares de sírios e palestinos moradores de Damasco tomaram ontem as ruas. Cerca de 10.000 pessoas carregando bandeiras do Iraque, da França e da Alemanha, além de fotos de Saddam Hussein, fizeram uma passeata pacífica, mas barulhenta, através de Beirute, capital do Líbano. O vice primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, fez o seu protesto solitário na cidade italiana de Assis, onde rezou em silêncio em frente ao túmulo de São Francisco, patrono da paz. "O povo do Iraque quer paz e milhões de pessoas ao redor do mundo estão se manifestando pela paz, então que todos trabalhemos pela paz e pela resistência à guerra," disse.

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ISRAEL - Ontem, sábado, convocados por várias organizações pacifistas, milhares de judeus e árabes israelenses se reuniram diante da Cinemateca de Tel-Aviv, marchando para a praça atrás da Ópera de Tel-Aviv, onde discursaram representantes dos organizadores do evento.

Slogans contra o ataque ao Iraque eram acompanhados pelos contra a ocupação de terras palestinas.

A mensagem central significou um veemente "NÃO À GUERRA" e um "SIM À DIPLOMACIA PARA EVITAR A ESTÚPIDA CATÁSTROFE". "A escuridão está rapidamente se aproximando, ameaçando no engolfar a todos", disse a escritora feminista Rela Mazali, representando a "Coalizão de Mulheres pela Paz". O Dr. Haidar Abdel Shafi, antigo e respeitado líder palestino dirigiu aos manifestantes palavras surpreendentemente fortes e confiantes de solidariedade, em árabe e em inglês, por telefone, diretamente da sitiada Gaza.

Foi lida a seguinte petição conjunta de israelenses e palestinos:

"Não à guerra contra o Iraque ! Fim à ocupação israelense!

Por uma Vida de Justiça e Paz no Oriente Médio !

Nós, israelenses e palestinos no opomos a esta guerra. Esta não é uma guerra pela segurança ou justiça, mas sim uma guerra pelo poder, hegemonia, controle e ganância. Estamos convictos de que a segurança e a liberdade para o bem de toda a gente do Oriente Médio não será alcançada por guerra, violência e morte." Azmi Bdeir do grupo árabe-judeu Ta'ayush, que moderou o evento, concluiu :

"Esta guerra que está chegando e se avultando sobre nós não é um desastre natural. É feita pelo homem. Seres humanos a planejaram, e seres humanos a pretendem levar adiante. Seres humanos também podem impedi-la. Nós, entre muita gente em todo o mundo." Hoje, o Movimento PAZ AGORA estará se manifestando, diante do Ministério da Defesa, em Tel Aviv, contra a continuação da presença nos Territórios Ocupados, e protestando pelo alto custo de vidas perdidas de soldados e cidadãos israelenses e palestinos


AMÉRICAS

O movimento se espalhou por todo o continente. Canadá, México, Caribe, América Central e América do Sul também se pronunciaram contra a escalada militar na zona do Golfo Pérsico e contra os planos bélicos do presidente americano, George W. Bush.

Em muitos países, os protestos incluíram marchas para as sedes das embaixadas americanas, onde os manifestantes queimaram bandeiras dos EUA. Cidadãos de todas a idades, intelectuais e artistas, religiosos, estudantes, ONGs, civis, e partidos políticos, especialmente de esquerda, aderiram à jornada mundial contra a guerra.

ESTADOS UNIDOS - A maior mobilização aconteceu em Nova York, onde milhares de pessoas protestaram perto da ONU, desafiando o frio, com temperaturas de 12 graus negativos, em meio a um forte dispositivo policial. O esquema de segurança incluiu atiradores de elite, cães treinados para detectar explosivos, oficiais encobertos com detectores de radiação, além de equipes de detecção e descontaminação de substâncias tóxicas. Atendendo ao apelo pela paz mundial, feito pelo Prêmio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu dentro de uma igreja situada em frente à sede das Nações Unidas, os manifestantes cantaram lemas pacifistas e contra o governo de Bush numa cidade em estado de alerta pela ameaça terrorista.

Em Los Angeles, lideradas pelo ator Martin Sheen, milhares de pessoas participaram este sábado de uma manifestação pelas ruas de Hollywood. Sob o lema "Não à guerra contra o Iraque", 15.000 pessoas, segundo a polícia, 25.000, de acordo com os organizadores, atravessaram a Calçada da Fama até o Sunset Boulevard. Sheen, de 62 anos, que interpreta o presidente dos Estados Unidos na série de televisão "The West Wing" e que em várias ocasiões manifestou sua sua oposição à intervenção militar, estava à frente do protesto que contou com a participação de várias estrelas do cinema americano, como Anjelica Huston. Sob um forte frio, os manifestantes expressaram sua convicção de que o governo americano não tem motivos para declarar uma guerra. Com doses de bom humor, os manifestantes carregavam fotos onde apareciam o presidente americano George W. Bush beijando o primeiro-ministro britânico Tony Blair junto ao lema "Façam amor, não façam a guerra".

Outras cidades californianas, entre elas Santa Mônica e San Diego, também realizaram passeatas contra a guerra este sábado. Já San Francisco, um dos grandes redutos da esquerda americana, envolvida este sábado nas celebrações do Ano Novo Chinês, irá realizar no domingo sua manifestação pela paz, na qual é aguardada a presença de mais de 120.000 pessoas, segundo os organizadores.

Pesquisas nos Estados Unidos mostram que a maioria das pessoas está de acordo com a necessidade de privar o Iraque de seu suposto armamento biológico, químico ou nuclear, e com uma "mudança de regime", derrubando o líder Saddam Hussein. Os americanos entrevistados também defendem, porém, uma ampliação das inspeções de armamento e se opõem a uma campanha militar unilateral de seu país contra o Iraque, sem o apoio da ONU. Mesmo sob a neve e a chuva gelada, a população de outras 250 cidades dos E.U. foi às ruas.

No Canadá, a população de cidades como Toronto, Montreal, Vancouver, Halifax, Windsor e Edmonton, aderiu aos protestos. Em Montreal, milhares de pessoas foram às ruas, enfrentando 20 graus abaixo de zero, com cartazes de "não à guerra" ou "parem o Bush".

Em Cuba, Raúl Castro, o primeiro vice-presidente, ministro da Defesa e irmão caçula do presidente Fidel Castro, liderou no sábado um ato político em Havana, com a participação de cinco mil pessoas. À noite, Fidel disse num fórum que o ataque dos Estados Unidos ao Iraque seria uma "guerra desnecessária, sob pretextos nada confiáveis, nem provados".

No México, milhares de manifestantes se aglomeraram na frente da representação diplomática dos EUA, onde a vencedora do Prêmio Nobel guatemalteca, Rigoberta Menchú, discursou. O ex-candidato presidencial Cuauhtémoc Cárdenas se uniu ao movimento.

Representantes de mais de 30 organizações de todo o tipo também marcharam em San Juan, Porto Rico, enquanto um pequeno grupo, o único na América, defendeu a política de Bush. Em um ambiente festivo, dezenas de dominicanos se manifestaram no centro de Santo Domingo, convocados por partidos de esquerda, ONGs e associações populares. O movimento se estendeu às cidades de Puerto Plata, Navarrete, Mao e Barahona. Em todos os países da América Central houve protestos, convocados por organizações populares e de esquerda.

Na Venezuela, simpatizantes do Governo do presidente Hugo Chávez percorreram o centro de Caracas até o hotel onde Governo e oposição realizam suas negociações na busca de uma saída eleitoral à crise política venezuelana. Em Santiago do Chile, mais de mil pessoas rejeitaram a guerra e a posição ambígua do governo chileno no Conselho de Segurança da ONU, que não descartou o uso da força como último recurso ao conflito iraquiano. Na Argentina, houve, entre outras cidades, manifestações em Buenos Aires e Santa Fe, que contou com a participação do Centro Argentino Israelita I.L. Peretz. Centenas de paraguaios se manifestaram em Assunção diante da embaixada dos EUA contra a "política imperialista americana".

(fontes: Ag. de Notícias, Jornais e Amigos Brasileiros do PAZ AGORA - 15-16/02/03)


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