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Marcha pede paz e mobiliza o mundo

    A grande marcha mundial pela paz mobilizou pelo menos 50 cidades brasileiras no sábado, 15 de fevereiro.
As pessoas foram às ruas dizer não ao provável ataque dos Estados Unidos ao Iraque. O movimento aconteceu também em mais de 50 países.
A maior mobilização aconteceu em São Paulo, onde 30 mil pessoas, segundo os organizadores, concentraram-se na Avenida Paulista para depois seguir até o Parque do Ibirapuera. Marcavam presença várias ONGs como Paz Agora, Greenpeace, Grupo Solidário São Domingos, Coalizão Brasileira para a Paz Israel-Palestina (Taba), entre os milhares de ativistas que não tinham ligação com partidos ou ONGs mas que queriam expressar a discordância das intenções do presidente norte-americano, George Bush.
Em meio aos cartazes pacifistas, também se viam atitudes como a queima da bandeira dos Estados Unidos ou a
tentativa de associar a imagem de Bush aos nazistas na 2.ª Guerra Mundial. No fim da tarde, todos reuniram-se em torno do Obelisco do Ibirapuera, onde vários representantes de entidades discursaram em cima de caminhões de som. Entre os presentes, estava João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
No Rio de Janeiro, cerca de 20 mil pessoas reuniram-se no bairro do Leme por volta das 11 horas. No caminho até Copacabana, a marcha foi saudada por cariocas que estavam nas janelas dos prédios e apoiavam os protestos. Em Porto Alegre, os gaúchos voltaram às ruas contra a guerra, depois de já terem protestado em janeiro durante o III Fórum Social Mundial. Cerca de 2 mil pessoas caminharam sob um sol forte. Na beira do Lago Guaíba, houve apresentação de várias bandas ao fim do evento.
Também se mobilizaram os moradores de Brasília, Campo Grande, Salvador e Curitiba. Nestas cidades, pelo menos 5 mil pessoas pediram a paz neste sábado.

Aznar - Longe do Brasil e separados por um oceano, os espanhóis também foram às ruas contra a possibilidade de guerra no Iraque. Mais de 3 milhões de pessoas mobilizaram-se em 60 cidades. Além de protestar contra o conflito, os espanhóis criticavam o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar. O líder é um dos governantes que apoiam uma ofensiva norte-americana, junto com o governo Inglês.
O cineasta Pedro Almodóvar participou do ato em Madri, a capital. Mas cidades como Zaragoza, Sevilha, Bilbao, Granada e Barcelona reuniram também milhares de pessoas.
A mobilização repetiu-se em Roma onde 3 milhões de italianos fizeram uma marcha colorida que levou jovens e velhos ao protesto. Ao mesmo tempo, em Assis, o vice-primeiro ministro iraquiano, Tareq Aziz, fazia um protesto solitário em frente ao túmulo de São Francisco, onde rezou.

Resistência – Participando do bloco de resistência aos bombardeios contra o Iraque, mais de 80 organizações, partidos e sindicatos tomaram as ruas na França. O governo do país tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU e já declarou que discorda da ofensiva militar. Cerca de 300 mil franceses marcharam durante todo o sábado. Em Toulouse, a manifestação aconteceu de manhã, com pelo menos 8 mil pessoas.
Na terra do primeiro ministro alemão Gerhard Schroeder, outro opositor da guerra, cerca de 200 mil moradores envolveram o Portão de Brandenburgo no maior protesto desde a 2.ª Guerra Mundial em Berlim. Cartazes como Não à guerra por petróleo e Guerra? Não, obrigado! Ajudavam a passar o recado dos alemães.
No domingo, foi a vez dos australianos contestarem a posição do chefe do governo local e pelo menos 500 mil foram às ruas. Os protestos, em cidades como Sydney e Adelaide, foram os maiores desde a Guerra do Vietnã, há 30 anos.

Façam amor, ... – Mesmo nos Estados Unidos, houve grande mobilização pela paz. Em Los Angeles, onde fica Hollywood, muitos carregavam cartazes com a frase Façam amor, não façam a guerra ao lado de uma foto-montagem com o presidente Bush beijando o primeiro-ministro inglês, Tony Blair.
Em Nova Iorque, as pessoas enfrentaram o frio de 12 graus e desfilaram vigiados de perto pelo esquema de segurança especial já implantado pelo governo federal. Pelo menos 15 mil pessoas estiveram na passeata na cidade onde houveram os atentados de 11 de setembro de 2001. Os protestos foram repetidos também em outras 250 cidades norte-americanas, mesmo com as baixas temperaturas.

Embaixada – No México, milhares de manifestantes se posicionaram em frente à embaixada dos Estados Unidos no país. Eles ouviram um discurso da guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz. A mesma estratégia foi adotada em Bangcoc, na Tailândia, quando cerca de 2 mil pessoas bloquearam o acesso à representação norte-americana no país. Na região, o ato se repetiu em Tóquio, capital japonesa, com a participação de 300 pessoas. O governo desse país tem apoiado os discursos de guerra dos Estados Unidos.

Por André Merli, repórter.
André Merli é jornalista responsável pelo Boletim E-leitor Cidadão do
Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia


      
São Paulo, Brasil                                           Artistas em Aliança
                                                                  São Paulo, Brasil



Isis de Palma, coordenadora do
movimento Tambores pela Paz

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Manifestações antiguerra reúnem milhões no mundo inteiro

Mais de quatro milhões de manifestantes uniram forças ao redor do mundo no sábado para enviar uma dura mensagem ao presidente dos EUA, George W. Bush: "Dê uma chance à paz e não se apresse para entrar na guerra contra o Iraque."

Em centenas de cidades ao redor do mundo, de Bangkok a Bruxelas, de Camberra a Calcutá, os manifestantes tomaram as ruas.

Na maior demonstração do "poder popular" desde a Guerra do Vietnã, eles desdenharam a posição de Bush.

Havia entre os cartazes símbolos nazistas associados aos E.U., Bush e Sharon, demonstrando o desconhecimento por alguns grupos radicais, minoritários mas ruidosos, da importância da construção de uma Cultura de Paz, na qual não cabem tais simbologias geradoras de generalizações preconceituosas, assim como não faltou o deplorável espetáculo de queima de uma bandeira norte-americana, pirotecnia inspirada na antiga tática goebbelliana de associar o símbolo de toda uma nação ao desatino de uma de suas múltiplas e conflitantes facetas, inspirando um ódio generalizado por um povo ou país.

Contudo, o que predominou nas manifestações foi a tranquilidade. As longas caminhadas, no Rio e em S.Paulo, foram uma oportunidade para o re-encontro de amigos antigos, hoje ativistas de inúmeras causas humanistas e sociais, em torno do ideal pacifista, e proporcionaram oportunidade para diálogos construtivos olho-no-olho, de ativistas de grupos com palavras-de-ordem aparentemente conflitantes..

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Marcha Contra a Guerra
15 de março de 2003

  Em 15 de março os Tambores pela Paz e as manifestações voltaram a ecoar em vários cantos do mundo. Apesar dos protestos, os EUA e Grã-Bretanha invadiram o Iraque provocando muitas mortes sem a autorização do ONU e contra o desejo da grande maioria da população do planeta.

Veja abaixo as fotos da manifestação em São Paulo, por Martí Olivella.


      
São Paulo, Brasil                                           São Paulo, Brasil


      
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